segunda-feira, 10 de abril de 2017

... E a Roland G-707 virou uma Cabronita :)

Paulo May


(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)

         Em 2014 fiz um post sobre a excelente guitarra Fender/Roland e o novo sistema digital da Roland. Ainda tenho as duas guitarras e cada vez gosto mais do sistema, mas esse post é um vapt-vupt pra mostrar onde foram parar os "restos mortais" da G-707. Transcrevo parte do que escrevi naquele post:
"... Eu não sou e nunca fui aquele guitarrista do tipo "solista técnico/virtuoso". Sempre gostei mais de bases e arranjos, da procura do groove perfeito entre guitarra base, bateria e baixo - e eventualmente piano. Durante a época (1983-1994) que tive banda e estúdio de gravação, onde compunha jingles e trilhas, sempre busquei maneiras de ampliar os limites dos sons de guitarra. Não foi à toa, portanto, que adquiri uma guitarra "midi", uma Roland G-707 em 1986 (ou 87). A guitarra tinha um visual futurista e uma estranha barra de carbono numa segunda junção braço/corpo para minimizar as vibrações do braço e estabilizar a captação dos sinais pelo captador hexafônico...
         O "tracking" das notas era complicado, tínhamos que tocar de forma bem diferente de uma guitarra normal, evitando bends, ruídos e slides desnecessários. Aquela barra realmente incomodava e pra completar, era um porre pra tocá-la sentado. Ela ficou largada até por volta de 2000, quando resolvi serrar a barra de estabilização e usá-la como guitarra normal (a G-707 era feita na mesma fábrica da Ibanez, com corpo de alder). Quando perguntavam que guitarras eu tinha, ficava até engraçado: "duas teles vintage, uma 1968 e outra 1974 e uma Roland G-707!!" KKK! Em 2004, joguei tudo dessa guitarra fora e só fiquei com a ponte (interessante - nunca vi outra igual) e o braço"

 A guitarra parece interessante, né? Moderna, etc., mas a real é que era MUITO chata pra tocar. Tinha que ser em pé e aquele estabilizador do braço incomodava demais - parecia que tinha um outro cara tocando contigo! :)
Quando postei no finado fórum da revista Guitar Player Brasil, que havia desmontado toda a guitarra e jogado o corpo fora, meu amigo, luthier/jornalista/músico Jaques Molina queria me matar! KKKK
Na época ele estava num batalha para restaurar uma G-707 e adorava esse modelo. Cada um na sua, né? :)

         Gosto muito da pegada desse braço - é semelhante ao da minha tele 68, com poucos ombros, tipo um "C" mais profundo, quase "soft V". Não gosto do headstock invertido e é chato também porque na hora de afinar o cérebro inverte a ordem das tarraxas :)

E a ponte... Guardei também porque era muito interessante. Algo baseada na Kahler, mas um design único e que nunca mais foi utilizado pela Roland ou Ibanez. O inconveniente é que esse tremolo, assim como o Kahler, exige uma cavidade específica no corpo.

        Daí, no final do ano passado, decidido a reunir ponte e braço novamente e aproveitando as habilidades, disposição e excelentes preços do luthier Otto Schmidt Jr. de São Paulo, encomendei um corpo de marupá, estilo Cabronita, pra colocar as partes... Tive que enviar a ponte para o Otto medir e programar na CNC o padrão da cavidade, mas ficou perfeita. Mesmo de saco cheio de pintura, fiz um acabamento meio heavy relic (afinal, ela deve corresponder a uma guitarra de 1986... :) E a guitarra ficou ótima. Ainda utilizei um botão de volume original, que estava guardado "just in case" :)


         Captador Gretsch Filtertron original, levinha, braço ultra confortável, ponte... Bem, ponte rara e exclusiva, imagino :)



         Antes que perguntem por que optei pelo marupá para o corpo, respondo: em quase todas as teles que testei, o marupá tende a soar muito bem na posição da ponte. Tenho uma Telemaster com P90 que soa mais poderosa e nervosa que a própria Gibson LP Jr. Esse captador foi usado numa Cabronita de american sugar pine e com certeza soou melhor no marupá. O timbre é muito similar ao da minha Cabronita Fender de alder (caps Fidelitron), talvez com um pentelho a mais de graves.


PS: O Otto não tem site e/ou loja. Eu o encontrei no ML, onde ele vende os corpos que produz. Gente finíssima. Para acessar os produtos dele no ML, é só clicar no logo abaixo:
Link para o Mercado Livre




15 comentários:

  1. Respostas
    1. Alder ou Ash :)
      Na falta deses, usaria, na ordem de prioridade: Garopa, Timburi, Marupá...

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    2. Essa garopa deve ter soado legal hein

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    3. Soou MUITO legal, Pedro. Consegui me segurar e testei os corpos antes de fazer os acabamentos. Quando ficarem prontas de fato eu posto os comentários. Ainda pretendo testar a Garopa com um braço de marfim só pra dizer que é a minha primeira guitarra com madeiras 100% nacionais que funcionou... Vamos ver :)

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    4. Imagino que isso valha pras Teles, considerando a ponte hardtail.

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    5. Andei lendo sobre bom resultado com Araucária, que tal Paulo ?

      http://guitarrasmadeinbrasil.blogspot.com.br/2015/10/com-palavra-o-luthier-valter-bergamo.html

      https://www.youtube.com/watch?v=iXineFZmhnc

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    6. Araucária é a mesma coisa que o "Pinho" do Paraná, Ricardo. Falamos sobre o pinho no penúltimo post e acabei de testar rapidamente a telecaster de pinho. Boa madeira, soa melhor que várias outras que testei, exceto a Garopa e o Timburi. Num primeiro momento, o pinho soou um pouco menos equilibrado que o alder, mas ainda faltam mais testes :)

      PS: Por favor, aproveite e dê uma lida aqui:
      http://guitarra99.blogspot.com.br/2014/05/faq-003-orientacoes-para-perguntas.html

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    7. Sim Pedro. "Deve" soar ainda melhor numa tele. Mas o gaiato aqui já foi pego de surpresa muitas vezes... :) Acho que só fazendo uma de Garopa pra ter certeza mesmo, hehehe.

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  2. Reinventou uma guitarra. Ficou show. Posta um áudio pra gente ter uma noção...
    Parabéns!

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  3. Paulo, essa guitarra ficou ímpar, porém a sua outra cabronita com acabamento em folhas de ouro é hors concours, rsrsrsrs! É muito G.A.S. pra um blog só isso aqui, viu? Parabéns! Se puder também coloque o link pro perfil do ML do Otto! Abraço!

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    1. Infelizmente aquela passou por uma experiência mal sucedida e doei o corpo...Embora fosse muito bonita, o timbre não era ótimo - apenas bom.
      Já localizei o Otto no ML e vou colocar o link no post:
      http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_160950005

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  4. Olá Paulo. Tenho vontade de fazer o mesmo com uma cort X1 que tenho há tempos. O corpo dela é em aghatis, não possui graves, é extremamente leve, por baixo da grossa pintura é tão macia quanto um isopor. Quero aproveitar o braço e a ponte. Como não uso tremolo, penso em tirar o bloco de zinco e instalar a placa diretamente no novo corpo como se fosse uma hardtail e trocar os saddles. Acha que vai ficar bom? Qual a sua opinião?

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    1. Não dá pra achar nada até ficar pronto, como quase tudo no munda das guitarras... :)
      É bom lembrar que a Cort X1 tem um braço com 24 trastes, portanto o corpo deve ser adaptado para isso.

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  5. Mais um excelente post, meu querido Paulo!
    Mas, assim como meu amigo Jaques Molina, tive que me segurar para não ter um troço...rs.
    Fazer o que?
    É se desapegar de certos valores.
    Grande abraço!

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    1. KKK!
      Vai por mim, Alex - duas horas tocando uma original dessas e te garanto que vais mudar de ideia :)
      Fiquei com a minha original durante uns bons 10-12 anos - se toquei 10 vezes com ela foi muito. Usava pra gravar e olhe lá... :)

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