quarta-feira, 19 de abril de 2017

Sonic Blue: Tele de Pinho & Strato de Garopa

Paulo May


(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)


Dica: para ver as imagens "full size", clique sobre elas com o botão direito do mouse e escolha "abrir link em nova aba/página".

          Há uns dois posts atrás eu mencionei que havia encomendado com o Kaiser dois corpos: Telecaster (invertida) de Pinho do Paraná (Araucária), madeira que eu queria testar há um bom tempo e uma Stratocaster de Garopa. A Garopa eu não conhecia, mas é uma madeira relativamente comum em quase todo litoral do Brasil, utilizada em móveis e geralmente canoas. Densidade entre o Marupá e Alder, bem leve e por sorte, mais dura do que a densidade sugere. O Pinho é um pouco mais denso (bem na faixa do alder) mas mais macio e pesado que a Garopa. Ambas são bonitas e fáceis de trabalhar e pintar.  Depois de prontas, a strato (hardtail) ficou com 3,2kg (uau!) e a tele com 3,8kg

Já sei, já sei... Eu prometi que não ia mais testar madeiras brasileiras, mas depois de experimentar o Timburi (nesse post, clique), que foi uma grata surpresa, resolvi tentar o Pinho. Enquanto conversava com o Kaiser, ele mencionou a Garopa e daí, já que a gente tava com a mão na massa mesmo, encomendei os dois... :)
Braços de maple nas duas: one piece na tele (com tensor de acesso traseiro) e maple cap na strato.

          Captadores Rosar Fullerton na strato (pra não errar - soam bem com quase todas as madeiras) e VHot-T na ponte da tele. No braço, um genérico de alnico que soou bem legal.  O Vintage Hot-T (nem preciso mais falar dele - clique aqui) é uma versão custom com alnico II na quinta e sexta cordas e alnico V nas demais - perfeito e com o ângulo invertido, melhor ainda! :)
A inversão do ângulo diminui a amplitude dos graves e o alnico II os deixa mais definidos -  e todos aqui já sabem da minha bronca com o desequilíbrio entre as cordas na telecaster clássica. Os pinos também são escalonados, num padrão que pra mim soa ideal. Normalmente o Sérgio (Rosar) não mexe nas alturas dos pinos de alnico - são todos "flat", mas de 3 anos pra cá, os meus VHot-T são customizados com o meu padrão de escalonamento, com o primeiro e quarto pinos mais altos, segundo, terceiro e quinto normais e o sexto o mais baixo de todos. 37 anos tocando tele... Não vou errar isso, né? KKK!



         Sonic Blue? Sonic Blue! Adoro essa cor e, como já falei em vários posts aqui, quando a gente faz o acabamento em casa (apartamento!), sem compressor e politriz, descobri que é bem mais prático - e até mais fácil - deixar num padrão "relic". Depois de tantos erros, já peguei a manha da relicagem natural e, cá entre nós e chutando a modéstia, já fiz relicagens melhores e mais naturais que muitas custom shop da Fender :) Na minha experiência, é 10 vezes mais fácil fazer relicagem "de trás pra frente", enquanto evolui a pintura e acabamento. Relicar um corpo novinho, com aquele PU duro e brilhante, bah... Nem tento... :)

Então meus caros, não é que eu goste de corpos relicados, é porque tenho preguiça de fazer o acabamento ultra hiper clean! KKK!



         Eu sei que tá todo mundo querendo saber da sonoridade das duas... Ainda estou ouvindo, comparando, esperando, ouvindo de novo, comparando de novo... Mas quando faço isso é porque elas já passaram no primeiro gargalo - ambas soaram muito bem. Pinho e Garopa? BEM melhores do que Cedro, Marupá, Freijó... Quanto melhor? Como se comparam com as de alder e ash? Humm... Ainda não sei, mas vou postar assim que concluir. O ouvido do Oscar faz uma falta danada numa hora dessas. Mas ainda tenho o Jean e o Faraco aqui em floripa pra ouvirem - ambos com gostos diferentes dos meus. Vamos ver... :)

         E pra quem tá curioso com as "tintas", todas à base d'água, com rolinho, e muita, muita lixa. Acabamento final com spray de verniz para madeiras da Colorgin - "camadíssimas finíssimas" - se tossir em cima, aparece a madeira! KKK!


http://kaiserguitars.com/


Esse tipo de tinta sem cheiro (a branca sobrou da reforma do apto :), que dá pra limpar com água... êta modernidade boa! :)

Nesse momento (foto acima), eu havia relicado a tele e pretendia deixar a strato clean, mas por um descuido com a lixa, perdi o azul num dos pontos... Preguiça total de pendurar novamente e fazer mais camadas de azul (além disso, lembro que, quanto mais tinta, menos timbre), esperar secar... Daí reliquei a strato também! :)



Esqueci alguma coisa (além do resto dos parafusos no escudo da strato)?

17 comentários:

  1. Cada vez que vejo esses posts me dá vontade de montar minha própria Strato.

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  2. Que legal. Ficaram lindas. Paulo, tu poderia ser um 'personal assembler and consultant'. Ia ter clientes mil.

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    1. Longe de mim Tom... Já me incomodo bastante com os problemas que aparecem por aqui! :)

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  3. G.A.S.!!! G.A.S.!!! Kkkk, muito bons o processo e o resultado!

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  4. Lindonas! rapaz, e o braço, você já tinha ou pediu pra o kaiser fazer tb? Notei que a tele tem trastes maiores, são jumbos? Acho q não há ainda postagens sobre diferenças nos trastes né? recentemente mandei restrastejar o braço da minha fender, colocar inox jescar 55090, tô esperando serviço terminar pra ver se há tanta diferença.

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    1. Gabriel, quero fazer isso na minha Fender também. Fale depois como ficou o resultado.

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    2. Também botei Jescar inox na minha Clapton, mas botei os 47104, que são medium jumbo, parecido com o que a Gibson usa.
      PS: o correto é reentrastar (refret).

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    3. Reentrastar? Retrastejar? Estamos diante de um impasse etimológico aqui :)
      Retrastejar soa mais agradável e conveniente, mas talvez reentrastar seja realmente o correto, já que o verbo "entrastar" de fato existe.
      Gabriel, os braços eu já tinha aqui. Eu utilizo o Filemaker pra manter um banco de dados sobre as minhas guitarras e é de grande ajuda pra saber qual captador/pot/último encordoamento, etc., mas como costumo trocar muito os braços, meio que perdi a origem do braço da tele. Com certeza eu o lixei porque era muito gordo... E os trastes são jumbo sim - os da strato foram colocadas pelo Inaldo e provavelmente os da tele também...

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    4. Enviei pra colocar os trastes na quinta-feira, então ainda vai demorar um pouco para saber o resultado, porém meu amigo fez o serviço em 3 guitarras dele (Fender Deluxe, N Zaganin Tele e uma Music Maker estilo Suhr) e colocou os Jescar 57110 (são extra jumbo). O 55090 são o padrão adotado pela Suhr nos modelos classic, e eram os menores Jescar que o Luthier possui. Paulo, se quiser depois faço um review aqui na postagem para vocês.
      PS. A grafia correta pode ser reentrastar, porém retrastejar já tem sido usado a bastante tempo, de forma que caso seja utilizado a mensagem será entendida perfeitamente. No fim essa é a função da liguagem, passar a mensagem.

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  5. Paulo, ambas muito lindas! Esse teu relic tá padrão demais!! Com certeza melhor que o fake das Road Worn da Fender e no nível dos Custom Shop.
    Inclusive podia rolar um post detalhado dando algumas dicas...
    PS: queria tirar um pouco do brilho do PU da minha Clapton blackie.. alguma dica? Nada de relic mesmo, só deixar mais fosco. Desde já agradeço!

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    1. Alexandre, pra "quebrar" o brilho do PU geralmente usamos materiais abrasivos. O mais comum e barato é o bombril fino ou até uma esponja abrasiva. Como a guitarra é preta, acho que vai dar pra notar os micro riscos... Tente conseguir lixa de grão/gramatura 2.000 ou mais (3.000 acho que funciona de primeira - se não, é só diminuir a gramatura) e faça um teste na área que fica embaixo do escudo. O único lugar que encontrei lixa maior que 1200 foi aqui: http://www.luthieriabrasil.com.br/
      Podes até conseguir esse efeito com uma 1.200, que é mais fácil de achar, mas eu acho ainda meio arriscado...

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  6. Parabéns Paulo, você pegou a manha mesmo e neste ritmo,já deve ter encomendado mais dois armários daquele não é?! kkk

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    1. Bah, Fernando, há umas 3 ou 4 guitarras atrás eu jurei que não faria mais nenhuma... :)
      O pinho era uma madeira que tava faltando testar mesmo e a garopa meio que foi de carona... então acho que tô desculpado por essas duas "extras". Já tô ficando apavorado com a quantidade de guitarras aqui em casa :)

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    2. "Já tô ficando apavorado com a quantidade de guitarras aqui em casa". Manda umas pra cá, depois te mando o endereço kkkk. Estou pensando seriamente em montar uma tele e uma Strato com os corpos e braços da Kaiser. Só esperando pela avaliação dessas madeiras pra ver se são boas mesmo.

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  7. Oi Paulo, essa é minha primeira vez postando aqui, eu acompanho seu blog faz tempo, mas nunca tive necessidade de perguntar nada, de tão rica e esmiuçada que são as explicações à respeito de cada assunto proposto, mas hoje senti essa necessidade pra complementar o conhecimento em relação à comparações, e a pergunta é a seguinte: Qual a diferença "timbrística" entre uma Strato com tremolo e uma Strato Hardtail, ambas de Ash, por exemplo? Pergunto para ter referência da sua Strato hardtail de Garopa. Por exemplo, se vc falar que a Strato de Garopa o timbre é mais perto do alder, tudo bem, mas é mais perto do alder com tremolo ou hardtail, e como soa uma Strato de alder hardtail? eu particularmente não sei, por isso senti essa necessidade de te perguntar, principalmente pra vc que tem uma descrição de timbres tão rica. Desde já agradeço a atenção. Abraço.

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  8. Esse blog tá a todo vapor, hein Paulo? Fiquei uns dias sem acessar e já tem dois novos posts muito interessantes!! Nesse aqui tive a honra de ser mencionado (mesmo no caso de ter sido outro o Jean citado, desde já me disponho a conhecer pessoalmente e testar essas belezuras aí...hehe). Realmente, ficaram lindas! Dá vontade de pedir pra vc relicar a minha strato partscaster, mas já me conformei qdo vc disse que tem problemas demais com a tuas e prefere fazer o caminho inverso... O fato é que vc tá se superando nesse tipo de trabalho. Agora só falta o "veredicto" em relação ao som das duas. Parabéns!

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