segunda-feira, 2 de maio de 2016

Pedrone Overdone Special

Oscar Isaka Jr



(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)



        Confesso que devo desculpas ao Pedrone e a vocês que seguem o Blog pela demora em postar uma devida Review do Overdone, mas antes tarde do que nunca (rs) então aqui está. Ainda não 100% completa (então aguardem a parte 2) mas como meu tempo para acabar esta muito escasso eu vou postar mesmo assim :-)!




         Comprei o amp logo que conheci o Pedrone. Quando fui a SP (Post da Entrevista LPG) para a entrevista que publicamos aqui no blog, aproveitei pra conhecer alguns amps da linha e ele tinha um modelo do Overdone pronto para testar e nem deixei ele anunciar. Tentei gravar em casa algumas vezes essa demo e nada ficava bom o suficiente. Eu precisava entender o AMP e TODAS as suas nuances. Precisava esperar o falantes amaciarem, pois havia encomendado um par novo de Celestion G12-65 com caixa nova e tudo mais. Queria que o amp tivesse um período de BREAK-IN para falar 100% o que podia.

         Desde então, muito se tem comentado nos foruns e grupos do Facebook, mas ninguém melhor que o mestre Augusto Pedrone em pessoa para explicar os controles e funcionamento do amp. Oportunamente o Kleber Kashima fez uma excelente entrevista com o Pedrone para o site Guitar Experience  (Excelente Revista Digital) onde, além de outras coisas, ele explica todos os controles do amplificador que passou a ser um amp de linha da marca.




         A versão que eu tenho (e que foi usada nessa demo) é levemente diferente do novo modelo (do vídeo acima). Afim de incorporar o sucesso do Overdone à linha de produtos, o Pedrone não mais o faz utilizando a técnica de ponto-a-ponto dos antigos.
Com isso conseguiu baratear os custos de fabricação, agiliza a entrega e consegue incorporar algumas funcionalidades extras (ex. circuito de redução de potência). Isso sem comprometer a sonoridade original.
A versão nova também perdeu o switch de seleção de "feedback" que se encontrava na parte de trás do Overdone antigo e que altera levemente a resposta do pre-amp mas que não chega a fazer falta. Eu acabo sempre deixando ele desligado mesmo.

O meu Overdone :-)
         Pois bem, usei e abusei dele todo esse tempo. Usei em casa, com pedais, com a minha banda  ao e em ensaios e acho que não tive uma situação que o amp não se comportou muito bem. Podemos pensar que o timbre básico do Overdone é um Fender Clean, porém "transgênico", digamos.

        Os graves são extensos e profundos e com a chave "Deep" a coisa fica ainda mais extensa e versátil. Os médios são cirurgicamente tunados na região eficiente das frequencias de guitarra e soam absolutamente macios e a chave de "Mid" dá um leve boost no volume perceptivo e joga a guitarra lá na frente da banda para situações em que o corte na mix é necessário. Os agudos, assim como os graves, tem um linda extensão e adicionam o brilho necessário sem nunca serem estridentes demais. O "Bright" adiciona um brilho na medida e útil para guitarras que soam mais fechadas por natureza ou então quando se toca com o amp em volumes mais baixos por exemplo, onde a extensão da EQ não abriu tanto ainda.

         O comportamento da EQ do Overdone é um tanto diferente dos amps tradicionais que estamos acostumados. Sem nem mencionar a chave EQ1/EQ2 (Jazz/Rock) onde você tem 2 amps completamente distintos, você pode girar qualquer um deles nos extremos e não vai ter excessos. Por exemplo, com Strato eu gosto muito de usar o "Mid" Switch ligado e com o grave quase no ultimo . O bump de médios do Switch faz com que a maior extensão de graves do Knob case perfeitamente e nada soa abafado, mas um timbre imponente e bonito. Com Les Paul, retiro o Mid, giro o Contour para perto de 1 hora e "voilà".

Tentando mostrar um pouco disso,  eu convoquei o Francisco Ferreira, meu amigo do excelente blog Guitarras e Gambiarras (Clique Aqui) para me ajudar a gravar esse vídeo onde tentamos mostrar como o amp soa e responde. Além de um baita guitarrista, o Chico é radialista e pudemos usar o estúdio para realmente gravar o amp num volume bom. O resultado final está registrado no vídeo abaixo, onde eu passei por todos os controles do AMP enquanto o Chico tocava na minha Strato Castelli (Post da Strato). :-)



         Bom, como nenhum amp faz TUDO por mais versátil que seja, o Overdone tem seus contras. Definitivamente não é um amplificador pra METAL ou gêneros mais extremos. A característica mais macia dos médios, excelentes para um Blues e Rock Clássico, não deixa ele ficar agressivo como uma moto serra MESA não importando o quanto de ganho você jogue no pré. A extensão dos graves, lindos para um jazz, nunca ficam "tight"o suficiente para palhetadas rápidas e bases Drop por exemplo.

No entanto, com uma LesPaul e um pouco mais de ganho do pré obtemos timbres na linha do Bonamassa tranquilamente e um pedalzinho "Marshall like" como o CrunchBox clássico, por exemplo, já joga seu timbre no Hard Rock convincente. Um OCD consegue fazer muito aspirante a JoePerry tocar Mamma Kin sem problemas. Eu queria ter gravado algo para mostrar essas características, mas vai ficar pra um segundo post.

Como sempre, se alguém tiver dúvidas sobre o Amp, preços e etc, basta acessar a página do Pedrone (www.pedroneshop.com) ou entrar em contato diretamente através do e-mail/telefone abaixo. O atendimento é sempre muito solicito e cordial. Eu ainda vou twer todos os amps da marca, dada a qualidade e cuidado e por isso tem nosso Selo de Qualidade LPG a muito tempo! Ponto para o Pedrone, para nós, e para o mercado nacional! 


Pedrone Amplificadores Valvulados Ltda ME
Endereço: Rua Tagipuru 79, São Paulo, Brasil
Telefone: (11) 3672-3783
contato@pedrone.com.br


sábado, 2 de abril de 2016

Captador Rosar Vintage Hot T (Selo Ouro de Qualidade LPG)

Paulo May


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Sérgio Rosar Vintage Hot T

(Selo Ouro LPG)


          Esse captador já é selo ouro há pelo menos 5 anos - a gente que esqueceu de postar... :)
Não lembro a data exata, mas por volta de 2009 o Sérgio Rosar me disse que estava desenvolvendo um captador de Telecaster com o Flávio Gutok, excelente guitarrista brasileiro de country style e, já que eu tinha duas excelentes teles e tocava outro estilo (rock), seria interessante se pudesse ajudá-lo no projeto.

          Foi durante esse período que aprendi muito sobre a estrutura e funcionamento dos captadores (o Sérgio é um professor por vocação e nunca deixa uma pergunta sem resposta). Eu testava os protótipos na minha Telecaster de 1968, que é a melhor tele que já toquei na vida e passava minhas impressões para o Sérgio. A tele 68 eu consegui em 1990, mas antes eu já tinha outra excelente, uma Telecaster Custom de 1974, comprada em 1980.
Portanto, meus ouvidos estavam devidamente treinados (e viciados) no timbre característico das telecasters, o que facilitou muito o nosso trabalho. Eu sempre valorizo mais a minha primeira impressão e quase que intuitivamente, focalizo na (ordem de importância) dinâmica, clareza e equilíbrio das frequências. Às vezes, basta um arpejo com pestana no Fá e outro no Dó pra sentir se o timbre promete ou não.

         Quando testei o protótipo que hoje é o Vintage Hot T, quase caí pra trás. Timbre lindo!
Estalado, dinâmico, agressivo mas sem asperezas. Médios amplos, agudos sem nenhuma sibilância e graves ultra firmes. Imediatamente liguei para o Sérgio e disse: "É esse! Não mude mais nada.". O som que saia da minha tele era tão legal que me recusei a retirar o protótipo dela - e tá lá até hoje - não mexi num fio sequer.

Se não me engano, o Flávio Gutok optou pelo protótipo que hoje é o "True Vintage T". Até entendo, pois ele é um pouco mais macio e menos dinâmico - ideal para a pegada híbrida do country. Mas o Vintage Hot satura bem melhor e faz bonito desde o clean até o saturado "hard rock".

          Por incrível que pareça, o fio polysol, em se tratando de ponte de telecaster, soa mais dinâmico e articulado que o formvar ou enamel. Provavelmente pela estrutura da ponte metálica rodeando o captador. Não sei se é delírio meu, mas sempre escuto uma sibilância, uma pequena sobra de agudos no polysol, exceto nas teles. O captador original de 1968 morreu em 1991 e, de 1991 até 2008, acho que experimentei pelo menos uns 6 captadores diferentes, Seymour Duncan, Fender, DiMarzio, Lollar... Vários muito legais, mas nenhum com a beleza do Vintage Hot T. União perfeita de sutileza e força.

Alnico V, 7,4k... Soa bem em teles de alder, ash (leve e pesado), marupá,tauari e mogno. Para teles de freijó, talvez o True Vintage seja mais adequado, já que essa madeira tende a soar um pouco agressiva nos médio graves.

Editei um vídeo com 3 demos antigas. A tele vinho é de alder e a 68 de hard ash.





domingo, 13 de março de 2016

Status Quo e a Telecaster


Paulo May

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      Eu estava coletando material para um post sobre padronização de pontes de strato e principalmente o espaçamento entre as cordas, mas comecei a assistir o documentário "Hello Quo" da BBC e o meu TOC destrambelhou total. Passei longas horas colocando subtítulos em português no documentário. Que trabalhão... Por que? Bem, primeiro porque o Status Quo foi uma das bandas que mais me influenciou na adolescência, segundo porque é imensamente subestimada nas américas e terceiro porque eles talvez sejam a principal razão de eu ter me apaixonado por Telecasters, logo depois do Keith Richards e do Wilko Johnson (Dr. Feelgood).

E, por último, coloquei subtítulos porque quero retribuir um pouco. Assim fica mais fácil para os brasileiros conhecerem a banda.

Obs: Já fiz um vídeo com alguns dos melhores e mais famosos timbres de telecaster que conheço e foi postado aqui no blog,mas vai um repeteco:

"O Som da Telecaster"



         Esse é mais um post quase pessoal, mas pra quem gosta dessa banda e rock básico, vai ser interessante. Deve ficar no máximo 10 dias no ar. O Oscar e o Chico fizeram uma excelente demo do amp Pedrone Overdone que será postada em seguida.

Meu primeiro disco do Status Quo foi o "Hello", de 1973, que devo ter comprado em 1975 ou 76. "Caroline" eu ouvi até gastar o vinil. Tirava tudo de ouvido naquela época. Assim como os Stones, eles também usavam afinações abertas e a gente nem sabia o que era isso.
"Down Down" do disco "On The Level" é em sol aberto com capo na quarta casa, mas isso eu só descobri depois da internet...

Francis Rossi e Rick Parfitt sempre usaram telecasters. A branca do Rick Parfitt me deixava maluco. A primeira guitarra que tive foi, portanto, uma telecaster branca. Infelizmente, uma nacional, da marca FINCH, que não afinava, tinha o braço desalinhado com o corpo e o pior: sem aterramento na ponte (fizeram o captador da ponte sem base de metal, então deveriam ter aterrado a ponte - coisa de brasileiro que nem copiar sabe). Ruído insuportável. Pior guitarra que já tive na vida.

Na época, eu não tinha a mínima ideia de como resolver esses problemas e era impossível tocar com ela. Daí tive que me virar com uma Giannini SG preta, que também era uma dureza pra tirar som. Por isso que eu às vezes fico p da cara com esse pessoal que venera o vinil e essas guitarras brasileiras "vintage", feitas à facão nos anos 60 e 70. Gostam porque nunca tiveram que depender delas ou ouvir música com estalos, chiado de fundo e agulha pulando. Pouquíssimas guitarras eram boas e o vinil...putz! Fita (de rolo) é interessante e as bem gravadas são fantásticas, mas vinil não, pelamordedeus.

     A telecaster do Rick Parfitt é de 1965 e a do Rossi, quase certo que é de 1959  (se não, 57). Pra ser mais prático, coloquei subtítulos também num vídeo recente onde eles falam sobre elas:



         Ambas têm corpo de ash e modificações nas pontes que eu jamais faria. A do Rick Parfitt não deveria afinar bem as oitavas, pois ele colocou um stop tail no lugar da ponte/saddles, mas seu técnico de guitarra diz ele teve sorte e ela afina bem. Fico pensando também na questão da curvatura, pois o raio do braço é de 7.25 polegadas e do stop tail deve ser 12, se for Gibson... Mas ele diz que é uma maravilha e tudo bem... :)

Outro detalhe interessante é que Parfitt usa cordas .14!! Pesada! Rossi usa .09. Ambos usam amps Marshall JCM 800 sempre junto com um Vox AC30.



        A telecaster verde do Francis Rossi foi definitivamente aposentada em 2014. Como vemos no vídeo, ele diz que sempre teve uma relação de "amor e ódio" com ela. Não entende porque a sexta corda às vezes desafina sem causa aparente e não a utiliza para gravações há mais de 25 anos. Mas continuou utilizando-a nos palcos porque sente-se "inseguro" sem ela. Afinal, é sua marca registrada :)

        O auge criativo da banda foi entre 1970 e 1980, mas há um show de 1989 onde eles estão em ponto de bala. Perfect Remedy Tour. Na internet só tinha um vídeo que acho que foi retirado de VHS. Dei uma melhorada no áudio, cortei algumas músicas e postei no youtube:



         O Status Quo vendeu mais de 128 milhões de discos porém é solenemente ignorado fora da Europa. A maioria dos críticos cai de pau neles, mas o legal é que eles se divertem com isso. Lançaram até um disco com o título "À procura do Quarto Acorde". KKK!

         O documentário "Hello Quo", foi lançado em 2012. Conta a história da banda, com entrevistas, etc. Acho difícil ser lançado no Brasil, por isso achei necessário fazer a tradução. É um pouco longo pra quem não é fã rasgado, então eu cortei a parte "Coronation Street" e acrescentei uma música, no final, do show de 2013 da tour de reunião dos membros originais. Hello Quo:

"HELLO QUO"


Também subtitulei esse documentário sobre a gravação do projeto acústico da banda. "Aquoustic":



    Bem.. Parece que a minha obrigação de fã brasileiro foi cumprida. Perdoem-me os fritadores e roqueiros refinados, mas adoro rock de 3 acordes! :)


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Captador Malagoli Custom LPG


Oscar Eigio Isaka Jr


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          Ao longo desses últimos anos algumas coisas ficaram bem claras e uma delas é a nossa paixão pelos captadores do tipo P.A.F. e sua sonoridade. Tanto eu como o Paulo somos adoradores declarados dessa sonoridade, haja vista o número de posts sobre o assunto nos últimos tempos.


          Pois bem, há alguns meses atrás, como vocês sabem, o Érico Malagoli me contactou apresentando o "Custom 55" e perguntando se eu não gostaria de experimentar e o resultado já foi postado aqui (clique para ler).

Nos dias que se seguiram, conversei com o Érico sobre as impressões que comentamos e ele perguntou se existia algo que eu achava que poderia ser mudado. Comentei sobre a minha percepção do leve excesso de agudos no ataque e do foco nos médios/graves que eu havia percebido entre algumas outras coisinhas que surgiram na discussão e o resultado é o Custom 55 LPG.

Acordamos que o cap do braço se manteria na linha mais clássica, com as bobinas assimétricas, fio Plain Enamel 42 e alnico 2 "rough cast", enquanto o captador da ponte, embora levasse o mesmo DNA do de braço, ganhou um pouco mais de força pra empurrar mais o drive e expandir a versatilidade. Outro ponto que mantivemos foi o espaçamento igual no graço e na ponte, pois assim o Érico conseguiria fazer a bobinagem como queríamos. Os caps de ponte vem com o Bridge escrito a caneta, já que utilizam o mesmo base plate dos de braço! Um detalhe importante para alcançarmos o resultado  pretendido. Gravei uma pequena e rápida demo deles na minha Gibson Les Paul R9 com um leve crunch. O riff e os primeiros licks estão com o captador da ponte enquanto o ultimo solo é o captador do braço.




Ok, mas qual a diferença para o Custom 55 normal? Na prática, o leve excesso de agudos que eu percebi no Custom 55 pode ser benéfico, por exemplo, numa guitarra de corpo oco/semi-oco que tem um som mais encorpado por natureza, mas pode aparecer um pouco demais se o instrumento/amp já tiver uma tendência aos agudos.

Na minha Les Paul em questão ele não chegou a ser excessivo, mas apareceu um pouco mais do que eu gostaria e por isso comentei sobre a possibilidade de baixar um pouco o pico de ressonância, trazendo todo o espectro de médios e agudos um pouco mais para a região média.
Concordamos que isso por si só já faria com que o foco nos médios aumentasse um pouco, e ajudaria a arredondar os agudos.



         Conclusão, temos mais uma excelente opção de captador com DNA de sonoridade clássica, feito no Brasil com um custo x benefício espetacular. Com a recente alta da moeda americana, ficou quase inviável para muitos importar Seymour Duncan, DiMarzio ou qualquer outro captador importado. Temos que dar parabéns e agradecer ao Érico e a todos os nossos fabricantes nacionais que mesmo durante toda esse período desfavorável, ainda perseveram e se esforçam para nos entregar um produto cada vez melhor. Ponto pra nós! :-)

Você pode encontrar o Custom 55 LPG direto no site da Malagoli:



Obs: É sempre importante ressaltar que não temos nenhum tipo de participação nos lucros ou vendas com os produtos que divulgamos aqui no Blog. Nosso compromisso é de sempre tentar ao máximo passar informação e ajudar a comunidade guitarrística da melhor forma possível. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Stratocaster: festival de timbres (com Alex Arroyo)

Paulo May


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         Se a gente digitar "electric guitar" no google search, acho que mais da metade das imagens será de um modelo Stratocaster. Essa guitarra, criada por Leo Fender e colaboradores em 1954, tornou-se o ícone da própria guitarra elétrica. Sua silhueta é mais arquetípica que a Les Paul ou até sua irmã mais velha, a Telecaster.      
Entre os guitarristas, principalmente depois de Jimi Hendrix, ela pode ser adorada (geralmente) ou odiada (raramente). Hendrix, Clapton, SRV, Jeff Beck, David Gilmour, Rory Gallagher, Blackmore, Malmsteen, John Frusciante... E mais uns 100 que eu esqueci - não podem estar errados - essa guitarra é provavelmente o melhor instrumento para um virtuoso se expressar.

Fender Stratocaster 1955 (original).  
   

        O problema é que existem inúmeras variações de timbre de strato. Portanto, "timbre de strato" é um termo muito genérico. Mark Knopfler (que comprou sua strato por causa do Hank Marvin/The Shadows), em "Sultans Of Swing" foi o primeiro que me chamou a atenção. Até então eu só ouvia stratos saturadas, principalmente Blackmore/Deep Purple e não percebia as sutilezas do timbre "clean".
Acho que cada um tem a sua referência. Hoje há uma legião de guitarristas atrás do "timbre do John Mayer",  outra que investiu em captadores EMG pra ter o "som do Gilmour" (de uma certa época - ele variou bastante) e por aí vai.
Por isso fica difícil caracterizar exatamente o som "clássico" de uma stratocaster. De tanto ouvir. ler e mexer em strato (e olha que eu gosto é de telecaster...), pessoalmente acredito que existem (grosso modo) duas sonoridades clássicas: a primeira, mais cristalina e macia das stratos de ash ou eventualmente alder com braço de maple, típica dos anos 50. A outra sonoridade (minha preferida), mais estalada, com médios mais agressivos, típica das stratos dos anos 60, com escala de jacarandá/rosewood.
Por volta de 1970, com os captadores padronizados ao extremo, já com fios modernos e um certo desleixo generalizado da CBS, acho que o timbre ficou meio feio, quase estridente.

Por incrível que pareça - e podem me xingar - não gosto do timbre do Hendrix e nem do SRV.

        Nosso velho e querido amigo Alex Arroyo, fantástico guitarrista, luthier e apaixonado por stratos, estava me devendo uma visita e pra compensar o atraso de quase um ano (!), trouxe 5 "stratos" com características e timbres distitntos , mas o que mais varia aqui são os captadores - desde clássicos até os ativos EMGs.

Seria muita pretensão mostrar todas as variações de timbres das guitarras, limpos e saturados, nas cinco posições. Optamos por uma abordagem "blues" com uma saturação média.
 As guitarras foram gravadas em linha (interface M-Audio) com simulações do Amplitube: geralmente Orange Rockverb 50 + Fender Pro Jr (com pedal Moller).

Vamos então aos vídeos do Alex, com breve descrição de cada guitarra (pra quem não gosta de strato e morre por uma Les Paul, no final do post tem um aconchego :) ).


1)  - Stratocaster Fender 54 Reissue. Captadores: Sérgio Rosar CBS 64 (meio e braço) e Hot 44 (ponte). O Alex instalou um sistema de mid boost (vídeo 2) muito interessante.
Essa é a guitarra "oficial" do Arroyo. Eu toquei um pouco com ela e de fato é uma strato excelente. Pegada, timbre... Os captadores Rosar casaram perfeitamente aqui. O Hot 44 na ponte é uma estratégia que eu também utilizo (às vezes prefiro o Hot 43, um pouco mais dinâmico). O CBS 64, assim como o Fullerton, já é um sucesso no Brasil e ambos não devem nada aos tops internacionais.


(vídeo 2) - Aqui, com o mid boost acionado:
Esse sistema de mid boost foi modificado pelo Alex. Pra saber mais detalhes, só com ele mesmo (clique aqui)




2)  - Stratocaster Fender. Captadores: set EMG DG20 (David Gilmour). No final do vídeo o Alex explica as modificações que fez no sistema:





3)  - Stratocaster Fender Squier (corpo de alder). Captadores: Fender Noiseless





4) - Stratocaster Fender Contemporary Made In Japan (FujiGen), 1986. Ponte Schaller/Fender. Captadores: originais.





         Não poderíamos deixar de lado uma das preferidas do Arroyo, sua Giannini Supersonic da década de 60, com corpo provavelmente de cedro (talvez mogno?). Não é uma strato Fender, mas é o que tínhamos de similar no Brasil até a década de 70/80. De original, acho que só o corpo mesmo, mas essa guitarra soa rasgada de boa :)
5) - Giannini Supersonic da década de 60. Braço Warmoth, captadores Danelectro.




Pra saideira:
Quem gosta de Strato geralmente só toca Les Paul quando precisa especificamente do timbre. São duas guitarras com "pegadas" totalmente distintas.
Pedi pro Alex dar uma canja (e ele até largou a palheta :) ) na minha Gibson Les Paul CS 59 só para o pessoal sentir a diferença. Os captadores são Jim Rolph Pretenders 58 e os capacitores bumblebee réplica da Gibson foram trocados por dois originais vintage.
Les Paul Gibson CS59:




segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Guitarras Castelli - Entrevista LPG com Tom Castelli

Oscar Isaka


         Quem acompanha o blog já conheçe com certeza o trabalho do Tom e a minha admiração pelas guitarras Castelli. Já postei algumas das guitarras que ele fez não só pra mim mas para outros guitarristas aqui de Curitiba. Isso sem contar reparos, regulagens, pintura e todo tipo de trabalho de luthieria que se possa imaginar. 

Já estava mais que na hora do Tom participar da nossa sessão de entrevistas do Blog e gravamos isso num bate papo muito bacana e descontraído com muita informação sobre a história da Castelli, sobre as novas guitarras e todo o nosso mundo das cordas. 





É realmente um grande prazer fazer essas entrevistas com os grandes profissionais do mundo guitarrístico nacional. Temos encontrado muito profissionalismo e acima de tudo grande paixão e apreço pela profissão com vontade de oferecer sempre o melhor. Tenho a aboluta certeza que temos nos instrumentos, amps e acessórios "made in brazil" produtos de altíssimo nível com  qualidade e capricho encontrados nas grandes e imortalizadas marcas internacionais. Que possamos sempre continuar a evoluir, aprender e torcer para que gente como o Tom prospere e sempre possa nos oferecer produtos e serviços de qualidade por mais 30 anos! 

Como o Tom mesmo disse, perguntas e dúvidas sobre os produtos e guitarras Castelli podem ser tiradas com ele diretamente.

Contato:


Fone: 41 3342.5154
Rua Pedro Collere, 220 . Vila Izabel . 80320-320 . Curitiba . PR
Email: tomcastelli@uol.com.br


















quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Christian Bove Custom Hardware

Paulo May






         Antes de qualquer coisa, olhem isto:


         Sobre o Christian, sua história e detalhes, estamos preparando uma entrevista com vídeo que será postada em breve e já com o selo ouro de qualidade do blog.
Por enquanto, gostaríamos de dizer que essas e outras peças lindas de hardware são fabricadas aqui no Brasil, mais precisamente em Curitiba. Não apenas lindas e com acabamento perfeito, mas totalmente customizáveis e com disponibilidade de vários tipos de material para uma timbragem precisa da guitarra.
         As pontes de telecaster (e outros modelos, exceto stratocaster) Bove estão disponíveis em: latão, aço inox magnetizável e aço inox não magnetizável, todos com 2 mm de espessura (mais massa, ressonância e estabilidade), com furação vintage ou moderna, além de outras facilidades que nem os americanos dispõem. É difícil de acreditar que temos um produto assim, "Made In Brazil".



         Eu tive a oportunidade de testar uma ponte Bove recentemente e por coincidência, numa telecaster que eu estava tendo dificuldade para timbrar. Antes de conversar com o Christian e receber seu hardware, eu já havia (por sorte ou azar, depende) tentado 3 pontes diferentes e todas clássicas:

1 - Wilkinson Vintage, ferrosa com saddles de latão
2 - Gotoh moderna (com furação vintage), toda de latão cromado
3 - Fender Vintage, ferrosa com 6 saddles de aço.

Como vocês podem ver, exceto pela ponte Fender que não foi fotografada montada, as fotos acima comprovam que as pontes foram de fato instaladas. O captador é um Rosar Vintage Hot (protótipo - está sem logo), o melhor captador de tele que já experimentei e o padrão em todas as minhas telecasters.

Quando a Wilkinson soou meio magra e sem vida, imaginei que a Gotoh de latão resolveria o problema, mas foi para o lado oposto: suavizou demais o timbre e os médios ainda ruins, sem punch. Só me restava a Fender com saddles de aço - instalei sem muita fé e, dito e feito, foi a pior das três. Além de gerar uma ressonância anômala muito chata, provavelmente das molas dos carrinhos.


Sempre que o hardware falha dessa maneira, o culpado provavelmente é o braço ou o corpo. O braço, de flamed maple canadense em peça única (escala não é colada), já tinha sido testado com outro corpo de alder e soou bem. Restava o corpo: alder levíssimo e ressonante de duas peças da KNE (USA/California)... Putz! Difícil acreditar que ele não estava falando... Alder não é infalível, mas precisa de muito azar pra pegar uma peça ruim.

Bem, eu já me preparava pra aceitar o fato que essa tele estava condenada à uma sonoridade macia (obs: não era ruim e muita gente do country gosta - típico timbre que ouvi em algumas teles de swamp ash) quando o Christian Bove entrou em contato.


Decidimos por uma ponte com furação vintage (o corpo da KNE já veio furado pra vintage) de aço inox não magnetizável com 6 saddles de latão. Para mostrar seu poder de customização, o Christian fez um neck plate com o logotipo do blog. Ponte, neck plate customizado e control plate, todos de inox. Melhor, estraga. :)




        Quando acabei de montar, a telecaster estava tão linda (tentei vários escudos, mas o branco sempre voltava) que, mesmo que soasse como antes já seria legal. Mas, pra minha surpresa e estupefação, ela cantou lindamente. A sensação que eu tive é que antes estava acorrentada e agora completamente livre. Ressonância, alcance de médios, dinâmica - tudo perfeito!
Isso é que eu chamo de sorte (dupla, por sinal)! O equipo certo na hora certa... :)


         A ponte sempre é um elemento importante na caracterização do timbre de uma guitarra. No caso da telecaster, onde o captador passa a ser um "componente" da estrutura, ela é crucial. Captador é eletromagnético, portanto, sujeito às influências de metais próximos.
Assim, o material da ponte passa a ser também um modulador do timbre. Um metal que interfere no campo magnético (magnetizável) soa bem diferente de um não magnetizável (latão, por exemplo). Além da indutância que a maioria dos metais acrescenta.


Como a sonoridade final de uma guitarra é um conjunto de fatores e a maioria de difícil alteração (escala, madeiras, etc.), a ponte é um dos itens que podemos modificar na timbragem. Geralmente pontes ferrosas (magnetizáveis) tendem a soar com mais punch de médios, eventualmente degradando agudos (que, no caso de várias teles, é algo desejável).
De qualquer forma, é muito difícil saber como ficará o timbre sem instalar determinada ponte e testar o conjunto.

Nunca havia tocado com uma ponte com essas características da Bove. Claramente foi a que soou melhor - embora cada guitarra tenha suas peculiaridades, me atrevo a dizer que a ponte Bove permitiu ao captador soar livremente e reforçou as ressonâncias da guitarra. Pra mim, perfeita... E linda! :)
(PS: pra saber se o metal da sua ponte é ferroso/magnetizável ou não é só encostar um imã de geladeira nele)

       A Christian Bove projeta, fabrica, finaliza e vende seus produtos. Sem atravessador. Uma ponte Bove customizada, feita artesanalmente e de qualidade impecável pode ser adquirida quase pelo mesmo preço que uma Gotoh, produzida em escala industrial. E se a gente quiser só qualidade e funcionalidade, sem muita frescura, uma ponte Bove standard tem custo benefício excelente.

Algumas fotos pra saideira:




Link para a página do Facebook (clique)

Em breve voltaremos com mais informações sobre a Christian Bove Custom Hardware.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Trocando Tarraxas Kluson (Vintage Style) vs Grover (Modern Style)

Oscar Isaka Jr

          Trocar tarraxas já virou prática comum do cotidiano dos guitarristas. Sempre que compramos uma nova guitarra já olhamos o que podemos "melhorar" alguma coisa, seja na parte funcional ou meramente estética e as tarraxas são sempre um dos primeiros alvos de upgrade, pois existem vários modelos de excelente qualidade e custo relativamente acessível. 



         Pois bem, nesse final de semana estava testando alguns timbres com uma Les Paul aqui em casa e estava notando que a afinação não estabilizava. Afinava, tocava um pouco e bastava um único bend ou uma palhetada mais forte e pronto, a coisa já desandava. Eu estava até meio intrigado pois as tarraxas eram Gotoh com trava e isso não deveria estar acontecendo já que as cordas eram novas, nut lubrificado e tudo mais que manda a cartilha, mas algo ainda estava errado.
Olhando um pouco mais perto notei que em uma das tarraxas havia uma "folga" no buraco, como na foto abaixo:

Bucha da tarracha com folga
         Resolvi então retirar as tarraxas pra verificar se havia algo errado na instalação. Quando o fiz encontrei o que eu estava suspeitando, enquanto a furação das tarraxas dessa guitarra era para acomodar tarraxas tipo Grover modernas (10 mm de diâmetro), foram instaladas tarraxas do modelo Kluson da Gotoh, que apesar de serem com travas, têm especificações para o buraco da Kluson vintage tradicional com aproximadamente 9 mm de diâmetro.
Estava bem claro o motivo da instabilidade da afinação, pois o post da tarraxa não fica 100% firme e apoiado com a pressão das cordas. 

Comparação das medidas

      É uma diferença relativamente óbvia, e fica até difícil de acreditar que isso passaria desapercebido por quem instalou uma vez que as buchas da Kluson ficaria frouxa e cairia fora do furo, e realmente a pessoa que instalou percebeu isso e para remediar a situação enrolou pedacinhos de LIXA em torno das buchas a fim de preencher a folga.
A famosa "gambiarra" rsrs. Em alguns casos ela funciona e muito bem, como mostrado várias vezes aqui mesmo no blog, mas as vezes ela compromete o funcionamento correto da coisa toda. 


         Mas então eu não poderia ter uma tarraxa tipo Kluson em uma Guitarra previamente furada para Grover sem ter que gastar os tubos mandando para um luthier tapar os furos e refaze-los com o tamanho adequado? Claro que pode pequeno gafanhoto. :-) Existem buchas próprias para essa adaptação, que possuem todas as medidas para uma tarraxa Kluson/9mm, mas têm maior diâmetro para evitar folgas em um buraco feito para Grovers/10mm. A StewMac tem essas buchas (Clique aqui) e a GuitarFetish também (Clique Aqui). Ambas vem em jogos com as 6 unidades que podem ser usadas tanto para modelos com 6 em linha como 3 x 3.
Como eu tinha um jogo dessas buchinhas aqui, fiz a comparação com a "adaptação". Notem as diferenças de medidas. Isso, claro, sem contar que um pedaço de lixa não tem a mesma resistência mecânica que o metal usado nas buchinhas e a chance dele ceder com o tempo aumentando o problema é ainda maior.

Original, original + lixa e abaixo, a adaptadora
         A lixa até aumentou o diâmetro de maneira que as buchinhas originais não caíssem do buraco, mas não conferem a resistência necessária para estabilizar o eixo da tarraxa. Instalei as buchinhas adaptadoras na guitarra no lugar das "antigas + lixa, dei uma ajustada no tensor e nas oitavas e pronto, a Les Paul estabilizou e estava pronta pra guerra. Não teve mais nenhum problema de afinação. 


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Indutor de Wah Smithers Audio - Equipo de Ouro LPG

Oscar Isaka Jr



        Há algum tempo conversei com o Leandro da Smithers Audio (confira aqui o post) e dentre os magníficos transformadores que ele projeta e fabrica estava o pequenino indutor para pedais de WahWah. 



         No meio da conversa o Leandro me explicou o conceito do indutor da Smithers, que era de ter 3 "taps" com diferentes indutâncias para que você possa instalar no seu pedal de Wah e assim obter, através de uma chave, 3 diferentes tipos de "timbres". Segue a lista dos valores do Wah Smithers na foto abaixo. 


Para referência, o Red Fasel tem perto de 620mh e o Yellow 450mh.


     Eu achei a ideia simplesmente fantástica e já me agilizei para pode montar um Wah e experimentar o indutor. Aproveitei uma carcaça de um Wah VOX Chinês, comprei um potenciômetro da Dunlop HotPotzII específico para o propósito e com a placa da MadBean Pedals montei o circuito do Wheener Wah II que nada mais é que o famoso Clyde McCoy dos anos 60. O resultado ficou tão legal que resolvi gravar uma demo rápida pra mostrar os 3 valores e como estava com um famoso Fulltone Clyde Deluxe aqui fiz uma comparação.

Esse indutor pode ser instalado em qualquer WahWah seja Cry Baby ou Vox, somente sendo necessária uma chave rotativa para seleção. O valor do capacitor de filtro que eu usei nessa demo foi 10nf, que é o valor clássico do Clyde também. 

Segue o vídeo:



       O indutor Smithers, assim como os transformadores da marca, é sem dúvida mais um dos produtos de qualidade internacional fabricados aqui no Brasil e merece o nosso selo de Qualidade Ouro LPG, com louvor. Sortudos dos que ganharam o seu no sorteio que fizemos quando postamos sobre a Smihters :-)! 

         Quer dar uma tunada no seu Wah? Entre em contato com o Leandro para obter seu Indutor e faça ou mande para que alguém o instale para você. Satisfação garantida!!!!!

Site da Smithers (clique)
Contato:
Smithers Audio
www.smithersaudio.com.br
www.facebook.com/smithersaudio

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Creation FD - Pedalboard Brazuca! :-)

Oscar Isaka Jr


         Assim que eu larguei minha finada RP2000 e resolvi me aventurar no mundo dos pedais, logo vi que não ia dar pra ficar montando e desmontando o set cada vez que ia tocar. Até usei o case da antiga pedaleira por um tempo mas a coisa era tão ruim e mal organizada que eu tinha até preguiça de usar os pedais por conta do trambolho que aquilo era. 

Creation FD Standard
Comecei a pesquisar as opções que tínhamos e, claro, esbarrei na PedalTrain. Porém o preço era tão absurdamente proibitivo na época que nem cogitei, mas o meu amigo Fernando (da loja Musica World) me apresentou à Creation FD. Ele tinha um board que lembrava muito o Pedal Train que eu via na internet e tinha praticamente os mesmos atributos. Lembro que até achei que era um board importado mas quando o Fernando me disse que era uma empresa aqui mesmo de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) eu quase nem acreditei. 




Isso já faz quase 3 anos e desde então uso os boards da Creation quase que exclusivamente (já tive 3 modelos). Pude assistir a grande aceitação do público guitarrístico brasileiro e a explosão da marca em nível nacional.

Modelo Fiber

Também através do Fernando conheci o Fabiano, sócio-proprietário da Creation, e combinei com ele de gravarmos uma pequena entrevista dando continuidade à nossa série de apresentação de fabricantes nacionais. 




Creation NovaBoard RT
         Desde então já tive 3 modelos de boards da Creation. É incrível como desde o pequenino Nano Board (abaixo) como no grande Marisco Board sempre tem um modelo que é do tamanho que você precisa.

O Nova Board que o Fabiano comentou no vídeo é muito bacana pois tem um compartimento interno onde vc pode colocar mais pedais e acioná-los por um switcher ou ainda usar pra colocar cabos e outras coisas com acesso super rápido e prático. 






         O grande guitarrista e endorser da Creation Kleber Kashima fez um review do modelo AM1 com detalhes no vídeo abaixo. Todos os boards da Creation têm essas mesmas funcionalidades e alguns opcionais ainda pra escolher de acordo com o seu gosto, como Led, Jacks, Fontes e etc.


      















         Se mesmo assim vc não achar, a Creation tem um serviço de Custom Shop e desenvolve o Board para suas necessidades, desde tamanhos e formatos variados, até se você precisar embutir aquele foot switch grande do seu amplificador valvulado com 32 canais. Não tem problema: é só contactar o Fabiano e a Creation desenvolve o board de acordo com a sua necessidade.
Foi exatamente o que  guitarrista Filipe Milani de Souza fez e o resultado pode ser conferido abaixo. O board dele ficou tão bom, que foi exposto na ExpoMusic. Notem o Foot Switch do Mark V e um Bogner Extasy Red embutidos.




         Sempre falamos aqui no Blog que nunca estivemos tão bem servidos de produtos nacionais de excelente qualidade como nos últimos anos e no caso de Pedal Boards não é diferente. Falo com propriedade que a Creation hoje não deixa NADA a desejar à PedalTrain e outras grandes do mercado mundial em qualidade e funcionalidade, isso sem mencionar a possibilidade de customização, modelos e opcionais. A quantidade impressionante de usuários e endorsers da marca atesta isso. 

        Vida londa à Creation e que o nosso mercado continue a nos brindar com gente como o Fabiano, Sérgio Rosar, Érico Malagoli, Pedrone, Manara, e muitos outros que acreditam no potencial do mercado nacional sempre com produtos de qualidade extrema.


Contato:



terça-feira, 23 de junho de 2015

1971: Rolling Stones, Deep Purple e Led Zeppelin

PauloMay

(obs: antes de fazer perguntas e ou postar comentários, leia aqui: CLIQUE)


Portão de entrada da Villa Nellcote, no sul da França, onde os Stones gravaram o Exille On Main Street.
   
         Em 1971 eu tinha 10 anos e não consigo me lembrar se alguma coisa diferente aconteceu nesse período. De fato, aconteceu não aqui no Brasil, mas na Europa (França, Suíça e Inglaterra): 3 discos que hoje são clássicos absolutos, venerados por roqueiros de todas as idades, foram gravados nesse ano.
O que havia em comum entre eles? Todos foram gravados com a "Unidade Móvel de Gravação dos Rolling Stones", um caminhão adaptado para conter um estúdio - top de linha na época.
 

Por volta de 1974/75, já entrando na adolescência, comprei esse 3 discos e até hoje os ouço com prazer, deslumbre e devoção. São eles:


        Alguma dúvida? Gravações lendárias, quase mágicas. Nenhuma feita em estúdio profissional. Todas de 1971, todas cercadas de mistérios e coincidências... Esses álbuns são referências, agora eternas, do rock clássico de extrema qualidade.

Sou fã de carteirinha dos Stones e o álbum "Exille" (com Sticky Fingers um pentelho atrás) sempre foi o meu preferido. Nesse disco (duplo), os Rolling Stones estão no auge, traduzindo à sua maneira, sem compromisso, as influências rock, blues, country e soul. Vários fatores, alguns fortuitos e outros nem tanto, contribuíram para a brutal honestidade e pureza desse disco. Não vou enumerá-los aqui pra não encher o saco do leitor que não é tão chegado nos Stones, mas um dos principais fatores foi a maneira e o local onde o disco foi gravado.

        Em 1971 os Stones abandonaram a Inglaterra para fugir dos absurdos impostos britânicos. Como tinham que gravar um disco e Keith Richards havia alugado uma antiga mansão chamada Villa Nellcote (em Villefranche-sur-Mer, no sul da França), optaram por gravá-lo lá.

Obs: Recentemente descobri que meu cunhado nasceu em Nice (bem perto de Villefranche) e viveu esse período na região. Ele me falou do clima, cultura e peculiaridades dessa parte do sul da França, refúgio de artistas, famosos e milionários há décadas... Tudo MUITO interessante.

Nellcote

         Sticky Fingers já havia sido parcialmente gravado, com sucesso, na casa de campo de Mick Jagger (Stargroves) na Inglaterra, utilizando a unidade móvel da banda. Aliás, muita gente gravou na mansão de Jagger naquele período: Who, Faces, Led Zeppelin (Houses Of The Holy, ppte), etc. Segundo o famoso engenheiro de áudio Eddie Kramer, o ambiente em Stargroves era maravilhoso e a acústica natural, fantástica.

 Stargroves (Inglaterra)


 Stargroves

 Fácil, fácil perder o foco aqui :) Eu estava em 1971, na França... Mas antes de ir para Nellcote, o caminhão dos Stones foi gravar o Led Zeppelin IV em outra casa antiga (1795) da Inglaterra, Headley Grange:

Headley Grange (Led Zeppelin III e IV)

O famoso som de bateria do John Bonham nasceu lá e foi gravado com 3 (talvez 2) microfones por Andy Johns perto daquela escadaria da foto. Em Headley Grange foram gravados o Led Zeppelin III e IV. Page, conhecido como "Led Wallet" estava economizando e não quis alugar Stargroves nessa época - Headley era mais barata... :)

Stairway To Heaven: Jimmy Page visita Headley Grange e a famosa escadaria.

        Finalmente voltamos para Nellcote, uma antiga mansão à beira de um penhasco, construída em 1890 por um banqueiro americano e quartel general da Gestapo durante a ocupação francesa na segunda guerra mundial. O local escolhido para gravar foi o porão (em 1971 ainda havia suásticas pintadas nas paredes), úmido e quase insuportavelmente quente (ouça "Ventilator Blues" pra ter uma ideia). O caminhão (ligado clandestinamente à rede elétrica) ficava do lado de fora e os cabos desciam até o porão:


         Para fãs dos Rolling Stones como eu, Nellcote (atualmente propriedade de um milionário russo) é um monumento, um ícone. Não apenas pelos Stones - ela representa um período no tempo que provavelmente nunca mais vai se repetir em termos musicais e culturais.
Já li vários livros, reportagens e artigos sobre a época, onde o conceito "Sex, Drugs and Rock and Roll" aplica-se literalmente. 1971 estava na ressaca do movimento hippie/flower power, expurgado pelos próprios Stones em Altamont.
As drogas, cada vez mais pesadas, já haviam levado Hendrix, Joplin e Morrison (sem falar no Brian Jones). Especificamente, a heroína, da qual Keith tanto dependia (para compor inclusive) era obtida de várias formas, inicialmente através do "personal drug dealer" de Keith, Tony Sanchez, depois com os próprios traficantes da região.

AS GUITARRAS DE NELLCOTE

...E foram esses traficantes que provavelmente roubaram os 11 instrumentos que estavam em Nellcote. Imagine que facilidade: todo mundo drogado, os caras já frequentavam a casa... Era só entrar e pegar. Entre as famosas "Guitarras de Nellcote" estavam: Dan Armstrong de plexiglass, Gibson ES-355 de 1959, Gibson Flying V (58?), Gibson ES-330, Les Paul Custom 1959, Les Paul Bigsby 1959, 2 Gibson Hummingbirds and um Fender Jazz Bass. Um saxofone preto do Bobby Keys também foi roubado. Até hoje ninguém sabe com certeza quais guitarras foram roubadas e quais foram recuperadas algum tempo depois. Numa entrevista recente Keith diz que pegaram o "cara" e ele recuperou a maioria delas.
Dá pra ver algumas nessas fotos:


         Ainda se discute qual Les Paul 59 foi roubada - se a de Mick Taylor (aquela famosa com Bigsby que foi comprada do próprio Keith Richards) ou uma outra 59 que acabou caindo nas mãos de Taylor de qualquer forma. Essa segunda eu não acredito que seja porque há algumas fotos de Keith fazendo overdubs de Exille em Los Angeles com ela. Um flame bem evidente e característico ("Claw/garra") na região central superior, entre os dois captadores, a identifica:


         Conhecida como "The Claw" (existe outra The Claw famosa, SN 9-1953, que pertenceu a Tom Wittrock). Foi mais tocada por Keith Richards, mas acabou ficando com Mick Taylor. Aparentemente, ele a vendeu em Londres no início dos anos 80, provavelmente em 1982.
Atualmente é mais conhecida como "Exile Burst", mas é bom lembrar que ela provavelmente não foi roubada, embora tenha sido de fato usada nas sessões de Exile.
Abaixo, um vídeo da Exile Burst/The Claw em 2014, tocada por Phil Harris (colecionador, guitarrista, mas não o dono dela):

Exile Burst / The Claw em 2014


A Les Paul 59 com Bigsby, bem mais famosa, foi tocada por Keith, Taylor, Clapton e Page:
A KEITHBURST:

 Les Paul 59 com Bigsby: "KEITHBURST"

          Keith Richards comprou-a em 1962 ou 1963. Originalmente, foi comprada em 1961 na Farmers Music Store em Luton, no Reino Unido, por John Bowen  (guitarista da banda Mike Dean and the Kinsman). Em algum momento, Bowen instalou um vibrato  Bigsby (Selmer's Guitar Shop em Londres). Pouco depois, no final de 1962, ele trocou a Les Paul na Selmer's por uma Gretsch Country Gentleman.

Keith Richards a comprou lá, provavelmente em 1963. Ele a utilizou na maioria das gravações do período, inclusive em Satisfaction. Em 1967 Keith vendeu-a para Mick Taylor, que entrara no lugar de Peter Green (outro com burst famosa) na John Mayall & The Bluesbreakers. Pra quem já percebeu, John Mayall é referência indireta quando falamos de Les Paul clássica... Foram guitarristas de sua banda, em sequência: Eric Clapton (Les Paul Beano), Peter Green (Les Paul Grennie) e Mick Taylor (Les Paul Keithburst).

A Les Paul Bigsby acabou voltando de certa forma para Keith quando Mick Taylor passou a fazer parte dos Rolling Stones em 1969. Daí começa a saga da Keithburst: segundo alguns, ela foi roubada em 1971 durante um show no Marquee Club em Londres, ou, segundo outros, em Nellcote, na França. Independente disso, a keithburst reapareceu em 1972 nas mãos do guitarrista da banda The Heavy Metal Kids, Cosmo Verrico (ele relata que a recebeu de um representante dos Stones, via gravadora/Atlantic, após ter sua própria guitarra roubada... estranho).

Verrico a vendeu em 1974 para Bernie Marsden do (futuro) Whitesnake. Bernie a vendeu novamente (com um lucro de 50 libras...), apenas uma semana depois, para o colecionador/guitarrista Mike Jopp. Mike Jopp vendeu-a num leilão da Christie's em 2003. Em 2005/2006, foi vendida novamente, para um colecionador privado europeu (quem seria?) por, acredita-se, um milhão de dólares!! Foto recente (2005?) da Keithburst:

 Les Paul 59 com Bigsby: "KEITHBURST"


DEEP PURPLE:

          Bem, voltando à nossa unidade móvel de gravação... Assim que as gravações encerraram-se em Nellcote (ppte porque Richards estava pendurado com a polícia francesa e foi para os EUA), o caminhão partiu para Montreaux, na Suíça. Missão: gravar o novo disco do Deep Purple, Machine Head.

A história de Machine Head e Smoke On The Water acho que todo mundo sabe: Frank Zappa, o incêndio, a opção final de gravar (em apenas 3 semanas) num hotel que estava fechado, etc.

Quase o mesmo padrão dos Stones: caminhão do lado de fora e um estúdio improvisado dentro do Grand Hotel.



esq: RS Mobile Unit do lado de fora do Grand Hotel, Montreaux.


Deep Purple - Suíça, 1971

1971 - Que ano!! :)